Eles

Ela sempre teve o sorriso frouxo.
‘Exibia’ seus dentes perfeitamente parelhos
para quase todos os que cruzavam seu caminho.
Os primeiros elogios que recebia de um desconhecido
nunca eram a respeito de seu corpo, de seus
olhos ou de seu cabelo. Eles sempre começavam
com “Você tem um sorriso muito bonito”.

Ele sabia fazer piada.
Tinha um senso de humor refinado e quase
sempre arrancava risadas de quem o rodeava.
Não se impressionava muito com sorrisos,
pois já estava acostumado a tê-los ao seu dispor.
Mas um dia isso mudou.

Seus olhos se encontraram e ela sorriu.

Ele gelou. Contou uma piada nervosa.

Ela não entendeu direito, mas riu mesmo assim. E sorriu.

E ele prometeu que faria de tudo para manter aquele sorriso no rosto dela.

Com ele, ela conseguia sorrir com os olhos, sem mostrar nenhum dente ou mover um músculo sequer.
Com ela, ele sentiu o poder de um sorriso vindo do peito, que fazia ouriçar cada pelo do seu corpo.
Ele completava os dias dela e ela iluminava as noites dele.
Ela jorrava e transbordava o mais puro afeto, mas…

…ele não deu pé.

E ela secou.

Hoje os seus olhos se encontraram novamente.

Ele deu um sorriso esperançoso, mas envergonhado, por não ter cumprido sua promessa.

Ela
tentou
sorrir
de volta,
mas a dor
não
deixou.

E, então, ele se afogou em arrependimento…

…no choro daqueles olhos que, um dia,
sorriam para ele.

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Um comentário sobre “Eles

  1. Oi Fernanda! Fiquei aqui com meus botões só imaginando quem seriam as personagens desta crônica… Já vi esse filme…

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